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17- Gravidade

  • há 2 dias
  • 11 min de leitura

Gravidade


Durante muito tempo, quando eu ouvia a palavra gravidade, minha mente fazia uma associação quase automática com aquilo que havia aprendido na escola.

A força que nos mantém no chão.

A força que atrai.

A força que impede que tudo simplesmente saia flutuando.

Mas, anos mais tarde, seu Eriki começou a me ensinar sobre outra gravidade.

Falava de peso.

De medida.

De seriedade.

E havia uma imagem que ficou guardada em minha memória:

a pena.

A pena tem tão pouco peso que qualquer vento consegue carregá-la.

Um sopro para um lado.

Outro para o outro.

Ela não possui força suficiente para permanecer onde está.

Durante muito tempo, guardei fragmentos daquele ensinamento. Com a vida, porém, fui compreendendo melhor aquilo que ele queria me mostrar.

Existem pessoas que também vivem assim.

Não porque sejam leves.

Mas porque ainda não encontraram peso interior suficiente para permanecer no próprio eixo.

Uma opinião as leva.

Uma crítica as derruba.

Um elogio as eleva além da medida.

Uma provocação determina sua reação.

Uma paixão altera seus princípios.

Uma rejeição muda sua percepção de si mesmas.

Uma oportunidade faz esquecer compromissos.

Uma emoção forte assume o governo.

São levadas pelos ventos.

E ventos sempre existirão.

Por isso, talvez a pergunta não seja como impedir que eles soprem.

A pergunta é:

O que existe dentro de mim que me mantém no lugar quando eles chegam?

O peso das coisas

Há uma expressão que usamos quando alguma coisa importante acontece:

“Ele não compreendeu a gravidade da situação. ”

Talvez essa frase explique muito.

Ter gravidade é compreender que as coisas possuem pesos diferentes.

Nem tudo merece a mesma reação.

Nem toda palavra exige resposta.

Nem toda provocação merece atenção.

Nem toda crítica deve ser desprezada.

Nem todo elogio deve ser acreditado.

Nem todo sentimento precisa transformar-se imediatamente em ação.

Mas também existem situações que não podem ser tratadas como se fossem pequenas.

Uma promessa tem peso.

Uma acusação tem peso.

Uma mentira tem peso.

Uma palavra dita no momento errado pode ter peso.

Uma decisão financeira tem peso.

Um compromisso tem peso.

Um relacionamento tem peso.

Um filho tem peso.

Um cargo tem peso.

Uma assinatura tem peso.

Um “sim” pode ter muito peso.

E um “não” também.

Gravidade, então, não significa tornar tudo pesado.

Significa não tratar como pena aquilo que possui peso.

A medida

Há dois modos de perder a medida.

Podemos dar peso demais ao que é pequeno.

Ou peso de menos ao que é grande.

Uma contrariedade pequena pode ocupar uma semana inteira.

Uma crítica pode parecer uma sentença.

Um erro pode transformar-se numa condenação permanente.

Uma pessoa pode passar horas sofrendo por uma frase que talvez nem merecesse cinco minutos de sua atenção.

Isso é peso demais.

Mas também podemos fazer o contrário.

“Não foi nada. ”

“Era só uma brincadeira. ”

“Depois eu resolvo. ”

“Todo mundo faz. ”

“Foi só uma mentirinha. ”

“Prometi, mas mudei de ideia. ”

“Falei sem pensar. ”

“Ele vai esquecer. ”

Isso pode ser peso de menos.

E as duas coisas nos desequilibram.

Talvez por isso gravidade e medida precisem caminhar juntas.

Dar a cada coisa o peso que ela merece.

Nem mais.

Nem menos.

Ser leve não é ser leviano

Durante a vida fui compreendendo outra coisa importante:

gravidade não exige que uma pessoa seja pesada.

Podemos sorrir.

Brincar.

Ser espontâneos.

Receber alguém com alegria.

Conversar com leveza.

Dar risada de nós mesmos.

Apreciar as coisas simples.

Nada disso nos torna menos responsáveis ou menos sérios.

Há uma diferença enorme entre leveza e leviandade.

A leveza torna a caminhada mais agradável.

A leviandade retira das coisas o peso que elas deveriam ter.

Da mesma forma, existe diferença entre seriedade e sisudez.

Seriedade é reconhecer quando alguma coisa importa.

Sisudez pode ser apenas uma maneira de se apresentar ao mundo.

Uma pessoa pode ter o rosto fechado e ser irresponsável.

Outra pode sorrir com facilidade e possuir princípios extremamente sólidos.

Portanto, gravidade não está necessariamente no rosto.

Está no eixo.

Ajustar-se

Talvez uma das melhores maneiras de compreender a gravidade seja observar nossa capacidade de ajuste.

Uma situação começa leve.

Conversamos.

Sorrimos.

Escutamos.

Então alguma coisa acontece.

Uma palavra muda o ambiente.

Uma informação chega.

Um limite é ultrapassado.

Um risco aparece.

O peso da situação mudou.

A pessoa com gravidade percebe isso e se ajusta.

Talvez seja hora de parar de falar.

Talvez seja necessário ouvir.

Talvez seja preciso ponderar.

Talvez a brincadeira precise terminar.

Talvez seja hora de dizer não.

Talvez seja necessário estabelecer um limite.

Talvez seja preciso simplesmente sair.

Lembro-me de uma situação vivida na loja.

Eu atendia uma senhora que havia vindo buscar uma fotografia e escolher um porta-retrato. Conversávamos enquanto eu abria o quadro, limpava o vidro e ajeitava a fotografia.

Seu marido chegou impaciente.

Ainda da porta, reclamou da demora e falou com ela de maneira áspera.

Procurei tranquilizá-lo.

Disse que estávamos terminando, convidei-o a entrar e esperar ali dentro. Estava calor, não havia razão para permanecer do lado de fora.

Ele entrou.

Enquanto eu continuava trabalhando, começou a fazer algumas brincadeiras. Falava da idade, da esposa, de trocar uma mulher mais velha por mulheres mais jovens.

Não dei importância.

Continuei fazendo meu trabalho.

Nem toda inconveniência precisa receber imediatamente o peso de um confronto.

Até que ele se dirigiu diretamente a mim e fez uma insinuação, sugerindo que eu poderia ocupar o lugar da esposa.

Naquele instante, alguma coisa mudou.

Ergui os olhos do trabalho, olhei para ele e disse com firmeza:

— O senhor está me faltando com respeito.

Ele tentou diminuir o que havia dito.

— Mas é brincadeira.

Respondi:

— Não. Isso não é brincadeira. O senhor está me faltando com respeito. Me respeite.

A conversa terminou ali.

Continuei o atendimento, entreguei o porta-retrato e eles foram embora.

Mais tarde pensei naquela mudança tão rápida que havia acontecido dentro de mim.

Eu não estava séria quando aquela senhora entrou na loja.

Não precisava estar.

Também não estava procurando uma oportunidade para estabelecer autoridade.

Eu estava simplesmente trabalhando, conversando e recebendo pessoas como faço habitualmente.

Mas a situação mudou de peso.

E eu percebi.

Talvez seja exatamente aí que a gravidade se revele.

Não em permanecer sério diante de tudo, mas em reconhecer quando alguma coisa deixou de ser leve.

Se eu tivesse tratado aquela insinuação como brincadeira apenas para evitar constrangimento, teria dado peso de menos ao que havia acontecido.

Se tivesse transformado as primeiras inconveniências daquele homem numa grande discussão, talvez tivesse dado peso demais.

Foi necessário medir.

Esperar.

Observar.

E, quando a fronteira foi atravessada, agir.

Depois, terminado o episódio, não havia razão para continuar nele.

A gravidade havia cumprido sua função.

Não me tornou pesada. Apenas me ajudou a dar àquele momento o peso que ele merecia.

É assim também em tantas outras situações.

O comportamento pode se ajustar sem que os princípios mudem.

Posso estar sorrindo e, segundos depois, precisar ficar séria.

Posso estar conversando e perceber que chegou a hora de silenciar.

Posso estar ouvindo e compreender que chegou o momento de me posicionar.

E, depois que a situação termina, também posso me ajustar novamente.

Não preciso permanecer carregando por dias o peso de algo que já foi resolvido.

Isso também é medida.

O comportamento pode mudar. O eixo permanece.

O prumo

Gosto da palavra prumo.

Na construção, o prumo ajuda a verificar se aquilo que está sendo erguido permanece alinhado.

Na vida também precisamos de alguma coisa que nos permita perceber quando estamos inclinando demais para algum lado.

Para mim, esse prumo está ligado aos valores e aos princípios.

Eles não fornecem uma resposta automática para todas as situações.

Mas oferecem referência.

Quando alguma coisa acontece, muitas estruturas internas começam a trabalhar juntas.

A consciência percebe.

O discernimento procura compreender.

A ponderação pesa.

Os valores oferecem referência.

Os limites mostram a fronteira.

A responsabilidade pergunta o que me cabe.

E a gravidade pergunta:

Qual é o verdadeiro peso disso?

Então escolhemos a resposta.

Nem sempre acertamos.

Mas existe uma diferença enorme entre errar depois de tentar compreender e simplesmente reagir a cada vento que aparece.

A pena

Volto à pena.

A imagem é simples e justamente por isso é tão poderosa.

Ela não escolhe para onde vai.

O vento escolhe.

Se sopra para a direita, ela vai.

Se muda para a esquerda, ela acompanha.

Talvez uma vida sem gravidade interior se pareça um pouco com isso.

Hoje estou feliz, então prometo.

Amanhã estou frustrado, então desfaço.

Hoje amo.

Amanhã odeio.

Hoje alguém me elogia, então acredito que sou extraordinário.

Amanhã alguém me critica, então penso que não valho nada.

Hoje o grupo vai para um lado, então vou também.

Amanhã aparece outro grupo e mudo novamente.

O problema não está em mudar.

Mudar pode ser sinal de inteligência.

Podemos receber uma informação nova e rever uma opinião.

Podemos reconhecer um erro.

Podemos amadurecer.

Podemos abandonar uma ideia que deixou de fazer sentido.

Isso não é ser pena.

A diferença está em quem governa o movimento.

Mudei porque pensei?

Ou porque fui levado?

Mudei porque compreendi?

Ou porque fui pressionado?

Mudei porque meus valores amadureceram?

Ou porque precisava da aprovação de alguém?

A gravidade não nos impede de mudar de direção.

Ela impede que qualquer vento escolha a direção por nós.

Sentimentos também têm peso

Isso vale inclusive para aquilo que sentimos.

Raiva é real.

Ciúme é real.

Medo é real.

Paixão é real.

Tristeza é real.

E amor também é real.

Mas sentir alguma coisa não significa entregar imediatamente a ela o governo da nossa vida.

Posso sentir raiva e não ferir.

Posso sentir ciúme e não controlar.

Posso sentir medo e ainda assim agir com coragem.

Posso amar alguém e reconhecer que aquela pessoa continua sendo livre.

Posso sofrer uma perda sem transformar minha dor numa licença para machucar os outros.

Os sentimentos chegam como ventos.

Alguns são brisas.

Outros parecem tempestades.

Não precisamos negar nenhum deles.

Precisamos aprender a ouvi-los sem entregar-lhes automaticamente o comando.

Talvez uma das maiores demonstrações de gravidade seja conseguir dizer:

“Eu sei o que estou sentindo. Agora preciso decidir o que farei com isso. ”

E há algo importante aqui:

ter eixo não significa não oscilar.

Uma palavra pode nos entristecer.

Uma notícia pode nos assustar.

Uma lembrança pode nos comover.

Uma alegria pode nos fazer rir até chorar.

Somos humanos.

Gravidade não é imobilidade emocional.

A árvore também se movimenta quando o vento chega.

O que importa é que suas raízes continuem lá.

Às vezes perderemos momentaneamente o equilíbrio.

Precisaremos silenciar.

Pensar.

Conversar.

Orar.

Chorar.

Dormir.

Esperar.

Reorganizar por dentro aquilo que foi abalado.

E então voltar.

Ser atingido não é o mesmo que ser arrancado.

Talvez equilíbrio não seja jamais oscilar.

Talvez seja aprender a retornar ao eixo.

O peso de uma aliança

Trabalho há muitos anos atendendo pessoas.

Entre tantas coisas, vendo alianças.

Uma aliança de aço é um objeto pequeno.

Cabe na palma da mão.

Pesa poucos gramas.

Pode ser escolhida, paga, colocada numa caixinha e levada embora em poucos minutos.

Mas aquilo que ela pretende representar pode pesar muito.

Compromisso.

Respeito.

Reciprocidade.

Fidelidade.

Cuidado.

Responsabilidade.

Liberdade.

Renúncias.

Escolhas.

Tempo.

Nenhuma dessas coisas cabe verdadeiramente dentro da caixinha.

A aliança pode ser comprada.

O significado precisa ser construído.

Talvez por isso eu observe com tanta atenção jovens começando seus primeiros relacionamentos.

Não porque seus sentimentos sejam falsos.

Um adolescente pode sentir intensamente.

Pode amar dentro da compreensão que possui naquele momento.

Mas existe uma diferença entre sentir amor e saber amar.

O sentimento pode chegar antes da estrutura necessária para conduzi-lo.

E isso não acontece apenas com adolescentes.

Há adultos envelhecendo sem jamais aprenderem a administrar ciúme, rejeição, frustração, desejo, raiva ou abandono.

Ficamos muitos anos na escola aprendendo tantas coisas importantes.

Mas onde aprendemos a amar?

Onde aprendemos a terminar uma relação sem destruir o outro?

Onde aprendemos a receber um não?

Onde aprendemos que ninguém nos pertence?

Onde aprendemos a reconhecer o peso de uma promessa?

Talvez também precisemos de educação para os sentimentos.

Porque sentir é humano.

Saber o que fazer com aquilo que sentimos é aprendizado.

Gravidade e consequência

Toda escolha coloca alguma coisa em movimento.

Nem sempre conseguimos prever o resultado.

E seria injusto afirmar que tudo aquilo que acontece conosco é consequência das nossas próprias escolhas.

Não é.

Somos atingidos pelas decisões dos outros.

Existem injustiças.

Acidentes.

Doenças.

Circunstâncias que não escolhemos.

Há acontecimentos sobre os quais simplesmente não possuímos governo.

Mas isso não elimina outra verdade:

aquilo que fazemos produz efeitos.

Uma palavra pode permanecer na memória de alguém.

Uma orientação pode reaparecer muitos anos depois.

Uma mentira pode modificar uma relação.

Um limite pode impedir um problema maior.

Uma escolha aparentemente pequena pode abrir um caminho que ainda não conseguimos enxergar.

Por isso, antes de algumas decisões, talvez precisemos aprender a perguntar:

E depois?

Depois desta palavra?

Depois desta compra?

Depois desta promessa?

Depois desta mentira?

Depois deste impulso?

Depois deste compromisso?

Depois deste sim?

Depois deste não?

Não podemos conhecer todo o futuro.

Mas podemos aprender a respeitar o fato de que existe um depois.

Isso também é gravidade.

Não é medo

Uma pessoa pode ouvir tudo isso e pensar que viver com gravidade significa viver com medo das consequências.

Não.

Medo excessivo também desequilibra.

Se precisássemos conhecer todas as consequências antes de agir, ficaríamos paralisados.

A vida contém risco.

Amar contém risco.

Empreender contém risco.

Educar filhos contém risco.

Confiar contém risco.

Escolher contém risco.

Viver é aceitar que não teremos controle sobre tudo.

Gravidade não elimina o risco.

Ela nos pede apenas que não sejamos levianos diante dele.

Faço aquilo que posso compreender.

Pondero.

Consulto meus valores.

Assumo minha parte.

E então caminho.

Se descobrir que errei, corrijo.

Se precisar mudar, mudo.

Se uma consequência inesperada aparecer, volto a olhar para aquilo com a mesma pergunta:

O que me cabe agora?

Peso interior

Com o passar dos anos, comecei a compreender que peso interior não precisa aparecer externamente.

Não preciso provar equilíbrio.

Não preciso parecer forte o tempo todo.

Não preciso falar sério o tempo inteiro.

Não preciso transformar cada situação numa demonstração de autoridade.

O verdadeiro peso aparece justamente quando é necessário.

É como uma estrutura que permanece silenciosa até ser exigida.

Uma provocação chega.

Ela segura.

Uma decisão difícil aparece.

Ela sustenta.

Uma emoção forte atravessa.

Ela não impede que eu sinta, mas evita que eu seja carregada imediatamente.

Alguém ultrapassa uma fronteira.

Ela me lembra onde estou.

Talvez seja isso que significa ter centro.

O mundo pode se movimentar ao redor sem que cada movimento precise nos arrancar de nós mesmos.

O ensinamento

Foi seu Eriki quem colocou a palavra Gravidade diante de mim.

Falava de peso.

Medida.

Seriedade.

E da pena levada pelo vento.

Sou grata por esse e por tantos outros ensinamentos.

Algumas coisas compreendemos no momento em que alguém nos ensina.

Outras precisam encontrar a experiência para adquirirem significado.

Talvez comigo tenha sido assim.

O ensinamento ficou guardado.

A vida foi oferecendo situações.

E, pouco a pouco, fui compreendendo como aquela gravidade poderia existir dentro da minha própria maneira de viver.

Hoje eu a traduziria assim:

Gravidade é reconhecer o peso real de cada situação e ajustar-se a ele sem perder o próprio eixo.

Não significa deixar de sorrir.

Não significa perder a espontaneidade.

Não significa transformar a vida num lugar pesado.

Significa apenas saber que nem tudo é pena.

Algumas coisas precisam pousar.

Precisam ser observadas.

Pesadas.

Medidas.

Tratadas com a seriedade que merecem.

E depois podemos continuar.

Raízes e vento

Talvez, afinal, eu não queira ser uma pedra.

Pedras têm peso.

Mas permanecem sempre no mesmo lugar.

Também não quero ser pena.

Penas são leves.

Mas qualquer vento pode decidir seu destino.

Prefiro outra imagem.

A árvore.

A árvore se movimenta.

Seus galhos balançam.

As folhas dançam.

Ela recebe chuva.

Sol.

Vento.

Há dias de tempestade.

Há dias de brisa.

Ela não precisa permanecer imóvel para continuar sendo árvore.

O movimento não significa ausência de firmeza.

Porque existe algo que o vento não mostra:

as raízes.

Quanto mais profundas, maior a possibilidade de a copa se movimentar sem que a árvore perca seu lugar.

Talvez seja assim também conosco.

Podemos rir.

Mudar.

Aprender.

Recomeçar.

Ser espontâneos.

Ser leves.

Podemos até balançar quando a vida sopra forte.

Equilíbrio não significa jamais oscilar.

Significa conseguir retornar ao eixo.

E talvez esta seja, finalmente, a gravidade que desejo para minha vida:

não o peso que me impede de caminhar,

mas o peso interior que impede qualquer vento de decidir por mim.

Ser leve sem ser leviana.Ser séria sem ser pesada.Mover-me sem perder minhas raízes.E dar a cada coisa o peso que ela realmente merece.

 

Marta Braatz

12/08/2026.

 

 
 
 

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